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A APITERAPIA E O VENENO DA ABELHA

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A apiterapia faz parte das denominadas terapias alternativas e conceitualmente corresponde à utilização de qualquer produto derivado das abelhas para fins terapêuticos em seres humanos e em animais. Estes produtos apícolas podem ser mel, própolis, pólen, geleia real, cera, larvas de zangão e o veneno da abelha Apis melífera, chamado de apitoxina (do latim apis-abelha e toxikon-veneno). Dentre os produtos apícolas, talvez o mais intrigante de todos seja o seu veneno.

As propriedades curativas de veneno de abelha têm uma tradição muito longa. Há registros chineses de 3000 anos que relatam o uso da apitoxina. Hipócrates, pai da medicina, alardeava o poder medicinal dos produtos da abelha, dando muitas vezes ênfase ao arcanum nome criado por ele para designar o veneno. Galeno (130 D.C) e Charlemagne receberam picadas de abelha em articulações com artrite (doença inflamatória crônica, autoimune, que afeta as membranas sinoviais (fina camada de tecido conjuntivo) de múltiplas articulações de mãos, punhos, cotovelos, joelhos, tornozelos, pés, ombros, coluna cervical).

O conhecimento sobre o veneno remonta ao amanhecer da nossa civilização, alastrando-se por toda a Europa, a Ásia e a África. Vê-se que na cultura de numerosas etnias encontra-se menções sobre os derivados das melífluas aladas e sua divinização. Achados arqueológicos evidenciam a presença de cera em potes com supostas pastas ou pomadas. Contudo, só a partir das duas últimas décadas do século XIX, com a apresentação, pelo médico austríaco Dr. Filip Terc, de vários casos de cura de enfermidades diversas, principalmente aquelas com quadro reumático, é que o universo científico iniciou a lidar com a Apiterapia nos princípios acadêmicos exigidos. Após a primeira guerra mundial, a Alemanha já produzia injeções de apitoxina com um coletor rústico e primário. Em 1930, o Dr. Bodog Beck, médico nascido em Budapeste, 1871, M.D., se valia dessas injeções no trato de pacientes em Nova York e Publica “Terapia de veneno de abelha”, onde relata muitos casos prósperos nos quais veneno de abelha melhorou significativamente, ou mesmo curou artrite. No mesmo período, os japoneses aplicavam o veneno da abelha nos pontos de Acupuntura, obtendo resultados extraordinários e relevantes (Apipuntura).

 O veneno da abelha (apitoxina) é produzido por uma glândula no interior do abdômen da abelha obreira, que tem como característica ser uma substância ácida, transparente, incolor, amarga e de odor aromático forte semelhante ao do mel; é altamente solúvel em água e em ácidos, e é formado por uma diversidade de aminoácidos, enzimas, substâncias voláteis e 88% de água. Suas propriedades antiartríticas são historicamente reconhecidas. Os efeitos terapêuticos são atribuídos principalmente à melitina: substância de elevada ação antiinflamatória. O veneno é coletado usando uma caixa que se ajusta na entrada da colmeia, com uma superfície do piso eletrificada que estimula as abelhas a lançarem o veneno nelas. Isso permite a coleta de um veneno puro injetável.

A terapia tradicional envolve a aplicação de picaduras de abelha, durante um certo tempo, na área afetada do paciente. Gradualmente, são aumentados a frequência e números de picaduras até dessensibilização (imunidade para picaduras), sendo alcançado o máximo de benefícios artríticos. Quando utilizado o ferrão, a abelha morre cerca de uma hora depois, pois além do ferrão perde uma parte do intestino.


 

O desenvolvimento do veneno injetável, em 1928, por Dr. Franz Kretschy, de Viena, fez com que os pacientes não tivessem que suportar o processo doloroso da picada, já que o veneno poderia ser aplicado, a partir de então, via subcutânea. É importante dizer que pessoas alérgicas não podem ser submetidas ao tratamento, por isso recomenda-se a realização de um teste de tolerância.

 

Hoje para fixação de identidade e qualidade de apitoxina há a Instrução Normativa Nº3,  que descreve o regulamento Técnico e identidade e qualidade. Segundo INSTRUÇÃO NORMATIVA N. º 3, de 19 de janeiro de 2001 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, os requisitos da apitoxina são: Características Sensoriais (próprias ao produto) e Requisitos físico-químicos (Umidade: máximo 3%; teor protéico: 50% a 85%); Fosfolipase A: 17 a 19 U/mg de proteína. O acondicionamento do produto deve ser com materiais adequados para as condições de armazenamento e que lhe confiram uma proteção apropriada contra a contaminação, não se autorizando aditivos. Essa mesma instrução define a apitoxina como sendo o produto de secreção das glândulas abdominais das abelhas operárias e armazenado no interior da bolsa de veneno.
 

Referências:

Seijas,JL. Apiterapia: verdade incontestável. Editora: Lombada.

UNIMONTES CIENTÍFICA. LEITE, G.L.D.; ROCHA S.L. Montes Claros, v.7, n.1 - jan./jun. 2005

Acessado em 22/05/17. Disponível em:<http://www.apacame.org.br/mensagemdoce/69/artigo2.htm>

Parecer técnico: Processo-Consulta N.º 40/2012; Parecer CRM-PR nº 2420/2013; Parecer Aprovado: Sessão Plenária n.º 3261, de 13/05/2013 – CÂM IV

Notícia: 29/05/2017