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A AÇÃO ANTI-INFLAMATÓRIA DA PRÓPOLIS

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O uso da própolis é muito antigo, os primeiros relatos de sua utilização datam no Egito antigo e da Mesopotâmia e também foi muito utilizada por antigas civilizações como os assírios, gregos, romanos, incas e egípcios. Suas propriedades e qualidade variam de acordo com a planta de onde as abelhas realizam a coleta do material para sua fabricação e com a espécie de abelha. Nesse segundo texto da série: as propriedades farmacológicas da própolis abordaremos uma das atividades mais citadas na literatura e atribuídas à esse produto natural: a ação anti-inflamatória.

Para entendermos essa ação atribuída à própolis, precisamos entender o que é o processo de inflamação para depois compreendermos o papel de uma substância que irá combatê-la, ou seja, um anti-inflamatório. O processo inflamatório, envolvido em diversas doenças, é uma resposta do nosso organismo contra uma infecção ou a uma injúria tecidual. É um mecanismo de defesa do organismo, cujo objetivo é a eliminação da causa inicial da lesão celular, provocada por patógenos ou por ação de agentes físicos. A inflamação é um processo de reparação desenvolvido pelo próprio organismo que só necessita de intervenção médica/terapêutica quando se torna exagerada.

Ela compreende basicamente dois mecanismos de defesa: uma resposta inespecífica (resposta inata), responsável pelas características da região inflamada (vermelhidão, edema, calor, dor e perda da função) e uma resposta imunológica, na qual há produção de anticorpos específicos contra um determinado agente agressor. Nem sempre a resposta inflamatória inicial é suficiente e o processo pode evoluir para um estado de inflamação crônica. Na inflamação há evidências consideráveis da ação de substâncias denominadas de prostaglandinas, as quais (entre outros) atuariam como mediadores do processo inflamatório. As prostaglandinas são produzidas a partir de um composto chamado ácido araquidônico através da ação de enzimas presentes no nosso organismo denominadas ciclo-oxigenases (COX). É importante citar esse fato porque sabe-se que as prostaglandinas são formadas em grandes quantidades nos focos inflamatórios e elas estão ligadas aos quatro sinais cardinais típicos do processo inflamatório: calor, tumor, rubor e dor. Hoje, sabe-se que a administração de medicamentos que inibem a sua formação pode reduzir a resposta inflamatória.

A própolis é rica em um grupo de substâncias denominadas de polifenóis, dentre eles, os flavonoides. Os flavonoides representam um dos grupos fenólicos mais importantes e diversificados entre os produtos de origem natural e diversas atividades biológicas são atribuídas à eles o que lhes conferem significativa importância farmacológica. A atividade anti-inflamatória observada na própolis parece ser devida à presença dos flavonoides, especialmente a galangina. Este flavonoide atua inibindo a enzima ciclo-oxigenase (COX) , justamente a enzima responsável pela formação das prostaglandinas. A própolis tem demonstrado ação anti-inflamatória por inibir a produção de compostos denominados prostaglandinas e ativar a glândula timo, auxiliando o nosso sistema imune através do estímulo da imunidade celular e da promoção da fagocitose (processo no qual as células de defesa destroem o agente causador de doença). Tem sido relatado também que um outro flavonoide presente na própolis, chamado de CAPE possui atividade anti-inflamatória por impedir a liberação de ácido araquidônico da membrana celular, suprimindo as atividades das enzimas COX-1 e COX-2. De modo geral, em relação a atividade anti-inflamatória os flavonoides atuam modulando células envolvidas com a inflamação, inibindo a produção de citocinas pró-inflamatórias, modulando a atividade das enzimas da via do ácido araquidônico (a modulação inclui também a lipo-oxigenase), além de modularem a enzima formadora de óxido nítrico.

Ainda sobre a ação anti-inflamatória da própolis, estudos indicaram que o tratamento com extrato de própolis atenua as inflamações das vias áreas em ratos, provavelmente por sua habilidade em modular a produção de compostos chamados de citocinas. As citocinas são substâncias necessárias para a resposta inflamatória, porém a produção exagerada de citocinas pró-inflamatórias podem aumentar essa resposta. Sendo assim, essa ação observada da própolis poderia resultar em um possível novo tratamento da asma. Outros estudos com camundongos e coelhos constataram uma atividade anti-inflamatória de soluções hidroalcoólicas da própolis, tanto em aplicações tópicas, bem como através de injeções ou mesmo via oral. Resultados de estudos também sugerem que a própolis pode suprimir o excesso de respostas inflamatórias sem afetar a imunidade inata durante a infecção viral, como nos casos de infecções virais pulmonares e/ou da árvore brônquica.

 

Enfim, frequentemente a própolis é indicada principalmente para doenças do sistema musculo-articular e outros tipos de inflamações, infecções, reumatismo e torções. Sua ação anti-inflamatória é uma das propriedades que vários estudos e pesquisas pelo mundo tem observado, de modo que o extrato de própolis torna-se um produto constantemente indicado como um aliado na promoção da saúde e prevenção de doenças.

REFERÊNCIAS

1.Lustosa,S.R at al. Própolis: atualizações sobre a química e farmacologia. Revista Brasileira de Farmacognosia Brazilian Journal of Pharmacognosy 18(3): 447-454, Jul./Set. 2008

 2.Paulino; N. at all. Tratado de propoterapia clínica. Vol.1. São Paulo: editora Nelpa, 2016.

3.Pinto,L.M.A at al. Propriedades, usos e aplicações da própolis. REF ? ISSN 1808-0804 Vol. VIII (3), 76 - 100, 2011

4.Marcucci, M.C. Propriedades biológicas e terapêuticas dos constituintes químicos da própolis. Instituto de Química- Universidade Estadual de Campinas-Campinas-SP. Química Nova, 19(05) (1996).

5.Abreu, A.P.L. Estudo comparativo da atividade anti-inflamatória e antifúngica de extrato de própolis vermelha e verde. Dissertação para obtenção do título de Mestre em Farmacologia Clínica- Universidade Federal do Ceará.

6.Coutinho,M.A.S at al. Flavonoides: potenciais agentes terapêuticos para o processo inflamatório. Rev. Virtual Quim., 2009, 1 (3), 241-256. Data de publicação na Web: 26 de Junho de 2009.

7.Silva,I.C.M. Prostaglandinas: metabolismo, funções e terapêutica. Seminário apresentado pela aluna ISABEL CRISTINA MELLO DA SILVA, na disciplina BIOQUÍMICA DO TECIDO ANIMAL, no Programa de Pós Graduação em Ciências Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no primeiro semestre de 2005. Professor responsável pela disciplina: Félix H.D. González.

8.Figuereido,I.V. O papel das prostaglandinas na inflamação. Laboratório de farmacologia Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra Largo de D.Dinis. 

Notícia: 24/07/2017